Após uma viagem tranqüila de 4 horas no trem 2015A, descemos na estação em Jaipur em meio a novo frenesi. Após a agitada passagem por Delhi, rapidamente aprendemos a ignorar os “solícitos passantes” e foi exatamente isso que fiz ao ser abordado por um tipo baixinho e musculoso que oferecia serviços de rickshaw. Porém ao mencionar que faria a corrida por Rs20 (rúpias) para qualquer hotel, rapidamente passamos a dar-lhe a devida atenção. Claro que esta pechincha estava vinculada a uma posterior oferta de serviços no dia seguinte, mas quem se importa? É só dizer não…
O hotel escolhido foi o Pear Palace, recomendado pelo guia Lonely Planet, bíblia de todo viajante nesta região, mas que na minha opinião merece uma séria revisão, mas isso é assunto para depois.Ao chegar no hotel me informei a respeito do preço dos quartos: Rs1.100 e Rs900, razoável para um hotel mediano em uma grande cidade, mas nada que se possa chamar de pechincha. Porém fomos alertados pela melhor e mais confiável fonte de informação existente, outros turistas, que o hotel em frente era muito bom e praticava preços muito melhores que o Pear Palace. E assim o foi: Rs800 por um quarto com ar condicionado, equivalente àquele de Rs1.100. Porém cabe aqui uma dica: pechinche sempre; não custa nada e o povo indiano está acostumado. Digo isso porque quando do nosso check-out ouvi alguém que estava fazendo o check-in conseguir Rs600 por quarto semelhante.
O hotel, o Chitra Katha (www.chitrakatha.co.in ), é agradável, novíssimo e bem decorado, com pinturas no teto e paredes. Possui um modesto mas gostoso restaurante num jardim com uma vista fabulosa do forte Hathroi, forte este que segundo os locais é fechado para visitação por ser “residencial”. O único senão do hotel fica por conta dos empregados darjilianos. Calma, eles não são de outro planeta, apenas nasceram em Darjeeling, no norte da Índia.
São muito solícitos, é verdade, mas também são péssimos no inglês o que torna qualquer solicitação de serviços um pequeno martírio.Acomodados, saímos para uma caminhada. Destino: Pink City, ou Cidade Velha. Na verdade a Pink City é uma cidadela, cercada por muros, construída por um marajá local para proteção contra Deus sabe quem, e recebe este nome porque todas as construções tem um acabamento em uma argila terracota, que algum daltônico resolveu chamar de rosa. Existem vários portões de aceso, mas o portão principal é realmente magnífico.
Posso imaginar minha reação caso eu fosse um modesto comerciante chegando pela primeira vez com meus camelos a esta cidade rosa (ou terracota) e me deparando com este espetacular portão no meio de lugar nenhum. Literalmente passaria a adorar o marajá como um Deus vivo.
A Cidade Velha é composta basicamente por pequenas lojas num emaranhado de atividades, de tecidos e roupas à doces e estátuas. Mas Jaipur é realmente famosa por seu mercado de jóias e pedras preciosas. Aqui pode-se encontrar verdadeiras pechinchas para aquele que deseja comprar e comercializar este tipo de mercadoria.
Porém é bom ficar em alerta, pois, também aqui quando a esmola é demais o santo deve desconfiar; existe toda a sorte de golpes envolvendo jóias que se possa imaginar: mercadorias que nunca são entregues, troca de itens por outros de menor valor e por ai vai.
E assim fomos caminhando displicentemente Pink City à dentro cruzando para a parte norte da cidade, além da Chandpol Bazar, a movimentada avenida que corta a cidade velha ao meio. Não percebemos que estávamos agora em uma área residencial e nada turística. Paramos para descansar quando fomos a bordados por dois rapazes, inicialmente simpáticos, mas que aos poucos adotaram um tom de voz bastante agressivo, dizendo, em um inglês ruim, coisas desconexas como eu odeio seu país e eu não gosto da sua gente. Era evidente que queriam um motivo qualquer para iniciar uma briga.
Para nossa sorte, usávamos um bastão de caminhada cada e, ao me levantar, apanhei o meu. Imediatamente um dos rapazes mudou o tom de voz e convenceu o outro a ir embora. Passado o “perrengue”, mais tarde eu entendi porque os rapazes ficaram tão intimidados com o bastão de caminhar: a polícia usa varas de bambu, semelhantes aos nossos bastões, para controlar a multidão. Acredito que eles confundiram o tal bastão com uma arma e nos deixaram em paz.
No dia seguinte, contratamos um rickshaw, por Rs350, para nos levar até o “Amber Fort” a 11 Km da cidade e a outros pontos de interesse. Existem outras opções como comprar um ticket para um “full day tour” na rede de hotéis RTDC ao preço de Rs200, mas optamos pelo rickshaw por ser mais flexível. Os ingressos para o “Amber Fort” custam Rs200 cada, mas recebemos um desconto de 50% com carteiras de estudante. A maioria das atrações na Índia dá descontos a estudantes que podem variar entre 10 e 50%. Portanto é uma boa pedida trazer sua carteira de estudante caso você possua uma.
O forte é maravilhoso, merece ser visto e compensa o dinheiro pago. Ele situa-se no alto de uma colina que pode ser alcançada a pé, de jipe ou no lombo de um elefante. Como eu considero o jipe um exagero e o elefante muito turístico à exorbitantes Rs550 por um passeio de 500m, seguimos a pé mesmo. A visita ao forte e palácio toma cerca de duas horas. Há opções de áudio-guia por Rs150 ou “índio-guia” por Rs200.
Na volta pedimos ao motorista do rickshaw para passarmos pelo “Monkey Temple”, que, como o próprio nome diz, é um templo dedicado ao deus macaco. É interessante, mas que não é lá essas coisas, sendo uma daquelas atrações “veja se tiver tempo”.
Após muita insistência do nosso motorista concordamos em visitar uma fábrica de tapetes de pelo de camelo . A visita é gratuita e interessante, onde nos é explicado todo o processo de fabricação do tapete, do corte do pelo ao desenho final, mas, é claro, existe sempre um preço a pagar, que neste caso era a expectativa de que se compre algo ao final da visita. Após mil e duzentas ofertas de tapetes polidamente recusadas, retornamos ao rickshaw onde o insistente motorista tentou nos arrastar mais uma vez para outra fábrica, desta vez a uma fábrica de jóias, na esperança de que comprássemos algo e ele recebesse sua comissão. Porém destas vez fomos fortes o bastante e declinamos o convite veementemente.
Na manhã seguinte prosseguimos viagem, indo de ônibus para Pushkar, pagando módicas Rs150 cada. Módicos no preço, porque a viagem…. Bom, mas isso é assunto para o próximo post.
Para ver algumas das fotos desta aventura clique aqui .
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